Em 1654,
O Capitão Baltazar Fernandes, já tendo construído a
Igreja de Nossa Senhora da Ponte, atual Igreja de Sant'Ana,
do Mosteiro de São Bento, e sua casa de moradia no Lajeado,
para cá se mudou com familiares e escravatura, fundando
novo povoado ao qual deu o nome de Sorocaba, denominação
essa que tem sua origem no Tupi-guarani, e significa
terra (aba) fendida ou rasgada (çoro).
Em 1661, estando o Governador Salvador Corrêa de Sá
e Benevides em São Paulo, Baltazar Fernandes rumou para
lá, para encontrar-se com ele. Por iniciativa própria
ou por recomendação dele, que era grande amigo da família,
requereu a 2 de março a elevação de Sorocaba à categoria
de Vila, conseguindo o despacho no dia seguinte, em
que se permitia a mudança do pelourinho de Itavuvu para
cá, com o nome de Vila de Nossa Senhora da Ponte de
Sorocaba. Também no mesmo dia 3 de março, foram nomeados
os primeiros componentes da Câmara Municipal, juízes:
Baltazar Fernandes e André de Zunéga; vereadores: Cláudio
Furquim e Paschoal Leite Pais; procurador: Domingos
Garcia e escrivão: Francisco Sanches.
Bandeirante que era o fundador, bandeirantes continuam
os moradores de Sorocaba. Assim é que Paschoal Moraira
Cabral, os irmãos Antunes Maciel, os Sutil de Oliveira,
os Almeida Falcão e muitos outros, desbravaram primeiramente
o sul do Brasil; mais tarde aprofundaram-se para o sul
do Mato Grosso, onde montaram um entreposto para comerciar
com os espanhóis e ponto de partida para explorações
por toda a extensão das selvas amazônicas.
Em 1733, passa por Sorocaba a primeira tropa de muares,
conduzida pelo Coronel Cristóvão Pereira de Abreu, fundador
do Rio Grande do Sul, inaugurando um novo ciclo histórico
- o do Tropeirismo. Com o passar dos
anos e o acréscimo do número de tropas, Sorocaba tornou-se
sede das Feiras de Muares, reunindo-se aqui brasileiros
de todos os quadrantes, a venderem ou comprarem animais
e, ao mesmo tempo, ajudando a integração cultural dos
vários rincões pátrios. A cidade, por força de sua situação
geográfica privilegiada, transformou-se no eixo geo-econômico,
entre as regiões norte e sul do Brasil: enquanto que
o norte, a economia se baseava na mineração e na exploração
das imensas reservas florestais, no sul, a motivação
econômica era a produção de animais de carga e de corte,
esta completando aquela.
A grande densidade demográfica, transitória na época
das feiras de Muares, e principalmente o afluxo de gente
endinheirada, ajudaram o desenvolvimento do comércio
e da indústria caseira, ficando famosos no Brasil as
facas e facões sorocabanos, e também as redes aqui tecidas.
Também eram muito apreciados os doces e as peças de
couro para montaria, havendo inúmeros ourives que se
dedicavam exclusivamente a fabricar enfeites em ouro
e prata para selas e arreios, estribos, cabos de chicotes
e facas.
Com o desenvolvimento das Feiras e conseqüentemente
crescimento da mão de obra especializada das indústrias
caseiras, apareceram, logo em 1852, as primeiras tentativas
fabris: a do algodão, de Maciel Lopes de Oliveira e
a de seda, em teares fabricados pelo próprio pioneiro,
Francisco de Paula Oliveira e Abreu. Ambas não passaram
de ensaios, porquanto a de seda pereceu por falta de
apoio financeiro e a de algodão, por causa da Guerra
de Secessão Americana, que, privando as fábricas de
tecidos ingleses da matéria-prima indispensável, elevou
os preços a tal ponto que era mais vantajoso exportar
o algodão para a Inglaterra a tecê-lo aqui. Com isso,
pioneiramente, no Brasil, Sorocaba plantou o algodão
herbáceo em substituição ao arbóreo, em grande quantidade,
enviando-o em lombo de burro até Santos, de onde seguia
para a Inglaterra.
As primeiras sementes de algodão foram plantadas aqui
em 1856, desenvolvendo-se grandemente, a ponto de se
pensar na construção de uma Estrada de Ferro para facilitar
a exportação do produto. Luiz Matheus Maylasky, o maior
comprador de algodão da zona, em 1870, em reunião com
próceres sorocabanos, aventou a idéia da fundação da
mesma, levando-a a bom termo ao fim de 5 anos. A 10
de julho de 1875, é inaugurada a Estrada de Ferro Sorocabana.
Após o termino da guerra, os americanos principiaram
novamente as plantações de algodão em quantidade suficiente
para exportação, fazendo a matéria-prima brasileira
menos procurada. Com a menor exportação e os preços
aviltados, os sorocabanos endinheirados começaram novamente
a pensar no aproveitamento local do algodão, e assim
Manoel José da Fonseca, em 02 de dezembro de 1882, inaugurou
sua Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Ponte, que existe
até hoje. Logo, em 1890, apareceram as Fábricas de Santa
Rosália e Votorantim, e a seguir muitas outras, tornando
Sorocaba uma cidade industrial.
A Estrada de Ferro Sorocabana foi também um dos fatos
que muitos colaboraram para o maior desenvolvimento
industrial local, transformando Sorocaba num dos maiores
parques industriais do interior de São Paulo.
Com a vinda de D. João para o Brasil, logo em 1812,
os sorocabanos pedem uma escola de primeiras letras,
que finalmente é concedida e instalada em 1815. Por
essa escola passaram mestres como jacinto Heleodoro
de Vasconcelos, Gaspar Rodrigues Macedo, Francisco Luiz
de Abreu Medeiros, etc. De cerca de 1830 é a primeira
escola feminina de primeiras letras, e de cerca de 1845
a primeira cadeira de Latim e Francês, que na época
equivalia ao curso secundário, e teve como professor
Francisco de Paula Xavier de Toledo. Das escolas secundárias
criadas em diversas cidades, apenas Sorocaba conseguiu
manter a sua, pelo grande número de alunos que a freqüentava.
A Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, atestado
do pioneirismo metalúrgico de Sorocaba em toda a América
Latina, após muitas tentativas desde a fundação da cidade,
teve êxito total em 12 de novembro de 1818, quando Frederico
Luiz Guilherme de Varnhagem fez correr dos altos fornos
o metal fundente para formas de três cruzes. Varnhagem
viera em 1809 para cá, como auxiliar dos suecos que
tentavam a fundação da mesma, sendo elevado a diretor
da Fábrica em construção, por carta régia de 27 de setembro
de 1814, cargo que ocupou por dez anos. Produziu Ipanema
grande quantidade de ferro, principalmente na época
da guerra do Paraguai, quando dali saíram materiais
bélicos.
Da mesma Real Fábrica do Ipanema saiu um dos maiores
sorocabanos: o filho do diretor, ali nascido, Francisco
Adolfo de Varnhagem, o Visconde de Porto Seguro, que
passou à posteridade como "O Pai da História
do Brasil."
Sorocaba teve, também, um outro período glorioso quando,
em 17 de março de 1842, aqui se fez a Revolução Liberal,
em reunião da Câmara Municipal, que aclamou o Brigadeiro
Rafael Tobias de Aguiar como Presidente da Província
de São Paulo, para lutar contra o cerceamento das liberdades
e contra duas leis iníquas, votadas pelo Congresso.
Ao ser aclamado, o Brigadeiro Tobias de Aguiar faria
sua 3ª gestão como Presidente da Província, pois já
exercera esse cargo legitimamente, por duas vezes. Em
20 de junho seguinte aqui esteve o insigne Duque de
Caxias, que, após vencer a Revolução, partiu daqui para
Minas Gerais, que, também se revoltara, conjuntamente
com São Paulo.
Desta mesma época, de 5 de fevereiro de 1842, é a lei
provincial nº 5, que elevou Sorocaba à categoria de
cidade, juntamente com Curitiba, que ainda pertencia
a São Paulo, e a Vila de São Carlos, que passou a chamar-se
Campinas. A Comarca foi criada em 30 de março de 1871,
pela lei provincial nº 39.
O segundo ciclo, o do Tropeirismo,
foi marcado pelas famosas feiras de Muares, que transformavam
a cidade numa verdadeira metrópole pela presença de
brasileiros de todos os rincões, também estrangeiros
do Uruguai e Argentina, que aqui realizavam grandes
negócios. O Tropeiro, em sua viagens, propiciou que
se criassem cidades em cada pouso e levou nosso nome
para todos os pontos da pátria e países da América Latina.
Também neste ciclo, observa-se o progresso da policultura
e o pioneirismo do plantio do algodão.
Mais tarde, verifica-se um quarto ciclo, o do Ensino,
que, embora venha desde a fundação da cidade, apenas
em meados do século passado começou a tomar impulso,
chegando neste século a grande desenvolvimento. Hoje
Sorocaba conta com escolas de todos os níveis, em número
avultado, proporcionando-nos um segundo cognome "Cidade
das Escolas e das Indústrias".
Atualmente, como mais um ciclo que caracteriza sua história,
Sorocaba representa um centro comercial de grande expressão.
Ao lado de seu Parque Industrial bastante diversificado,
de sua escolas, sua Universidade, Sorocaba representa
um centro em que há grande circulação de riquezas.
Baseado no texto
de:
Aluísio de Almeida
Fonte: Guia de
Sorocaba
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