O
marco da fundação da cidade de Itu foi à
construção, em 1610, de uma capela devotada
a Nossa Senhora da Candelária, no lugar
em que hoje fica a Igreja do Bom Jesus.
Esta capela foi construída por Domingos
Fernandes e seu genro, Cristóvão Diniz.
Eles receberam por sesmaria em 1604, a posse
das terras dos campos do Pirapitingui. Em
02 de Fevereiro adotou-se o dia com data
de aniversário de Itu, por coincidir com
o dia de Nossa Senhora da Candelária.
O povoado se formou em torno desta capela.
No ano de 1653 foi elevada a Freguesia de
Santana do Parnaíba. Em 1.657, passou à
condição de Vila com direito a possuir uma
Câmara Municipal, iniciando-se assim a construção
de um novo templo. Durante quase 100 anos
(de 1657 a 1750) a Vila de Itu não passou
de um pequeno núcleo, com menos de 100 casas,
concentradas no pátio da antiga Matriz e
numa única rua que ia do pátio até a capelinha
do primeiro povoado. Uma boa parte das casas,
as do pátio, sobretudo, pertenciam a fazendeiros.
Quando aumentou a escravatura e a produção
das fazendas, seus donos ajudaram a erguer
dois conventos na Vila, o de São Francisco
(1692) e o do Carmo (1719).
Os comerciantes ergueram, em 1726, uma
capela, num lugar ainda descampado, a de
Santa Rita, inaugurada em 1.728 Em 1760,
já existiam cerca de 105 casas e mais uma
rua, chamada da Palma (atual Rua dos Andradas).
Nessa época, Itu se firma como entreposto
de comércio na rota entre o sul do país
e as regiões mineradoras de Mato Grosso
e Goiás. Na Vila as maiorias das casas eram
pequenas e habitadas por gente que pouco
ou nada possuía.
Alguns anos depois, em 1776, com o crescimento
das lavouras da cana de açúcar e do algodão
a Vila cresceu contando com 180 casas, tendo
ainda as mesmas ruas de antes. Quem deu
vida à localidade foram os artesãos (sapateiros,
ferreiros, carpinteiros, tecelões, costureiras
e fiandeiras), os quais ocupavam 119 casas.
Os comerciantes interessados na venda de
tecido, colchas e cobertores para outras
regiões, promoveram o cultivo de algodão,
e a produção caseira de tecidos. A partir
de 1777, a Vila de Itu cresceu em função
dos negócios de exportação de açúcar para
a Europa. O número de engenhos de cana e
de escravos vindo da África se multiplicou.
De 1785 a 1792, foram abertas as ruas que
descem paralelas, pelas encostas do espigão,
e seus prolongamentos pelo lado da Igreja
do Patrocínio inaugurada em 1.819. Em 1.811,
foi criada a Comarca de Itu. Pela Lei Provincial
de 05 de fevereiro de 1.842, a Vila de Itu
foi elevada à cidade. Nessa ocasião, possuía
umas 800 casas. A partir de 1.850 e durante
anos, Itu foi considerada a cidade mais
rica da Província de São Paulo, com importante
participação na vida política e econômica.
Em 1860, ocorreu uma grande crise no mercado
internacional do açúcar. O plantio da cana
entrou em decadência, causando, com o tempo,
um conflito entre os políticos e os fazendeiros
ituanos contra o Governo Imperial. Cresceu
em Itu o Movimento Republicano que resultou,
em 1873, na realização da Primeira Convenção
Republicana do país. Início da propaganda
republicana, com a criação do Partido Republicano
Paulista. Por isso mesmo, Itu é chamada
de “Berço da República”.
O açúcar veio sendo gradativamente substituído
pelo café. Com o aumento da produção cafeeira,
os fazendeiros buscaram, na Europa, a vinda
de imigrantes para substituir a mão de obra
escrava. O tráfico havia sido proibido em
1850 e, a escravatura, abolida em 1888.
Com a ajuda do governo republicano, proclamado
em 1889 vieram para Itu milhares de imigrantes
a maioria italianos. A cidade possuía, nesta
época, cerca de 1800 casas.
O café foi à base da economia do município
até 1935, ano da maior produção, decaindo
depois, pela concorrência de outras áreas
de plantio e pelo esgotamento de suas terras.
De 1935 a 1950, Itu quase não cresceu além
da área já ocupada. A partir de 1950 novas
indústrias vem se instalando na cidade,
principalmente as de cerâmicas. Ocorreu
grande migração rural em busca de trabalhos
nas fábricas. A cidade começou novamente
a crescer com a abertura de diversos loteamentos
na periferia. Itu já não tinha a mesma importância
de antigamente, sendo influenciada pela
Capital do Estado, já então uma metrópole.
O velho centro é a maior e mais importante
herança cultural dos tempos da colônia,
passou a ser transformado em centro histórico
e área comercial. Após 1970, com a construção
da rodovia Castelo Branco, novas indústrias
instalaram-se em Itu, principalmente às
margens de suas estradas de acesso.